Instituto Virtual Independente de
Rock & Arte

Aqui você encontra tudo sobre rock e arte na ótica de nossos colunistas.

Domingo, Agosto 28, 2005

Só tocar bem não adianta (música pré-fabricada versus trabalho direcionado)

Vira e mexe eu me pego fazendo tais comentários nesse blog. Vi ontem um filme que se chamava "O outro nome do Jogo" (Be cool), com o John Travolta e a Uma Thurman. John Travolta larga da indústria de cinema para se tornar empresário e dono de uma gravadora para lançar uma garota que descobriu em um boteco da Califórnia. A moral do filme é toda a maracutaia que envolvia empresários e contatos para a garota, que por sinal cantava muito, para que ela pudesse gravar seu disco.
Filme bom e altamente recomendável pra quem curte música, pois aparecem de tudo que a gente conhece do meio, produtor e empresários mágicos, rappers e até mafiosos.
Mas o que que me chamou a atenção foi o desfecho do filme e o comentário de minha esposa (que de música,só se envolve com o que gosta, não conhece direito artistas e nada do processo musical em questão). Final Hollywoodiano, a garota está ganhando o famigerado astronauta de prata da MTV (como não poderia ser diferente) e minha esposa comenta: "Tudo como a Madonna. Os americanos ainda procuram uma igual a ela."
Nada mais certo. Uma pá de cantoras novas, que vendem um horror lá fora, um tanto aqui (daria com a grana daqui sustentar alguns conservatórios musicais para crianças carentes, por assim dizer), e que de originais não nos mostram nada. Ainda vale citar o episódio de ontem dos Simpsons (televisivo, não? tente ficar com uma criança de 2 meses em casa tentando fazê-la dormir o dia inteiro...hehehe), onde era sobre um concurso de vozes em que Homer se torna empresário voraz de Lisa. Tão voraz a ponto de bater na equipe de apoio e sabotar concorrentes.
Empresários...Hoje é isso que resume a música mundial hoje. Podemos governar de modo indie nosso som, mas está complicado se não há alguém dirigindo (infelizmente) os caminhos comerciais de sua (ou nossa) música.
Isso tem se tornado claro para mim, a cada dia que passa, é difícil para qualquer artista dirigir, ainda mais estrategicamente sua carreira. Deixe-me explicar antes de ser crucificado.
Tem que se ter o sistema de trabalho que lhe convém, com a direção e a produção, escolha de músicas e rumo de carreira que o artista quiser. Seguindo desse jeito o modelo independente, ou seja sem determinações externas. Mas necessita-se de um bom plano de divulgação, de angariamento de fundos (via shows ou patrocínio) e isso necessita de tempo e planejamento. Aí entra o que erroneamente chamamos produtor. Essa seria a função do manager, ou o empresário , que age como um vendedor da imagem e do trabalho da banda. Vale dizer que sem pedir mudanças ou apelos comerciais, mas vender a arte como qualquer marchand . Esse seria o trabalho do empresário. Acho que realmente nenhum indie que se preze morre por ter um apoio técnico (muita gente tem familiares no apoio ou geralmente amigos), ou dedica mais tempo em vender sua banda ou sua arte ao invés de se concentrar em criar com mais intensidade ou qualidade, de acordo com seu sistema de trabalho.
O trabalho de produção musical, como o de realizar todo o processo de gravação , mexer em graves e agudos, fuçar em arranjos, é o trabalho do produtor, cujos alguns músicos o fazem (o ninja faz pra FDL e o Cris pro FIO, o Chris Martin pro coldplay, como por exemplo) podem tornar um trabalho independente bem lapidado, dependendo mais uma vez de recursos financeiros e técnicos (só pra variar). Pois às vezes tocar bem não é o suficiente. Um trabalho bem lapidado e executado ainda pode ser diferencial para distribuição do seu som, seja via rede ou via "mão grande" como eu digo, ou seja venda e divulgação. A qualidade de produção sempre será diferencial, querendo mostrar um lance com ideal tosco ou não.
Às vezes, por estas idéias não estarem claras, deixamos de tomar ações que nos parecem contra ideais e deixamos de ter uma carreira no mínimo merecida devido ao trabalho realizado.
Ainda grito, salve a independência! Mas cada vez mais com sabedoria...